Meus colegas de sala de aula não sabem o que significa a palavra ``assembléia´´!
Para mim pode ser natural que eu saiba da existência da palavra assembléia deste criança, porque tive privilégio de um pai professor e mãe professora em potencial que me condicionou o hábito à leitura. Se a educação amazonense fosse como a atual propaganda do Governo do Amazonas em que tudo fucional e está as mil maravilhas, seria natural também com meus colegas de sala da segunda fase do EJA Ensino Fundamental. Mas não é assim que as coisas estão!
Pra início, se a educação fosse ótima, não haveria necessidade da existência do EJA. O mito da propaganda de ``educação de qualidade´´ deste Amazonino Mendes até o atual José Melo já se derruba daí.
Escola com o ano letivo atrasada, como a Roberto dos Santos Vieira, primeiro com demora na instalação dos novos ar-condicionados tipo ``splint´´ (há anos atrás já era pras escolas estarem equipadas com esse tipo de ar-condicionado), depois com a demora da eleição do novo diretor da escola, sem sequer manter o antigo até a eleição do novo, deixando a escola acéfala e nas mãos de coordenadores da região pra ``sanar´´ o problema. O resultado está aí: os professores estão sem agenda, tendo que eles mesmos decidirem para que sala vão dar aula - e com a falta de professores que existe deste o ano passado na mesma escola, é sempre as turmas de EJA Fundamental a pagarem o pato e ficarem sem professor, enquanto que até mesmo as salas de EJA Médio se garante professores.
Enquanto que a propaganda do Governo do Estado o ator pago fala que antes não havia recurso tal nas escolas e hoje tem, na vida real vejo total ausência de fotocopiadoras (popularmente conhecido como máquinas xerox) que faz falta constante pra professores e alunos - ou seja, a realidade é o inverso: antes havia recurso tal e hoje não tem.
Diante de tudo isso, não é de se surpreender que meus colegas não saibam o que é assembléia em pleno 2017!
O mais surpreendente talvez foi eles ``chutarem´´ o significado de assembléia como ``coisa de deus´´, por causa do nome de uma instituição religiosa neopentecostal, a Assembléia de Deus. Daí vemos dois detalhes: em como as pessoas ouvem as palavras, não sabem seu significado, e em vez de procurarem um dicionário ou digitar a palavra no Google pelo smartphone (maioria hoje da população tem uma ferramenta poderosa de acesso de conhecimento na palma da mão, mas não sabem usar), se limitam em deduzir, especular o significado da palavra que não conhecem. O hábito à busca no dicionário é tarefa da escola instigar.
O segundo detalhe é a referência popular que as pessoas têm com a palavra: em uma igreja evangélica! Existe a Assembléia Legislativa do Amazonas, mas é desconhecida porque é política, e a população amazonense sequer sabe pra que serve um deputado estadual. No imaginário popular, o que vem à cabeça é a Assembléia de Deus, inclusive a instituição aonde a maioria da população frequenta - o mesmo não se pode dizer da Assembléia Legislativa: quem ``ousar´´ frequentar será ostilizado pela guarda militar que protege os deputados da revolta popular. Isso diz muito da falência das instituições do estado, e quando há a falência da instituição estado, a instituição religiosa ocupa no lugar. A falência das instituições do estado é o cenário perfeito que políticos picaretas sonham: população que não sabe significado de palavras (população analfabeta fucional), que não se sente acolhida em instituições do estado (é um ``saco´´ frequentar a escola) nem sabe pra quê elas existem ou servem (Assembléia Legislativa), mas é extremamente religiosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário